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Winnicott e a cultura

> Winnicott e a literatura > Winnicott e a poesia > Winnicott cita o poeta indiano Rabindranath Tagore
Winnicott cita o poeta indiano Rabindranath Tagore
Publicado por Centrow em 31/5/06 (2416 leituras)
Publicado por Daniela Céspedes Guizzo Gomes da Silva [danielaguizzo] em 31/5/06 (0 leituras)

No texto A localização da experiência cultural (1967b) Winnicott cita um verso do poeta indiano Tagore (1861-1941): "Na praia do mar de mundos sem fim, crianças brincam".
Este verso fez Winnicott refletir sobre o relacionamento genitor-filho, fez com que ele chegasse ao entendimento de que havia um ponto de vista do bebê que poderia ser examinado, levando o autor a novas formulações sobre os fenômenos transicionais.

Citação:
1967b The location of culturel experince. Int. J. Psycho-Anal., 1967, 48. In 1971a (95-103).
W10 -A localização da experiência cultural. (VII capítulo do livro O Brincar e a Realidade).

" A citação de Tagore sempre me intrigou. Em minha adolescência, não tinha idéia do que pudesse significar, mas sua marca ficou em mim e essa impressão não se desvaneceu.
Quando vim a tornar-me freudiano, soube o que ela significava. O mar e a praia representavam uma relação infindável entre o homem a a mulher, e a criança surgia dessa união, para dispor de um breve momento antes de, por sua vez, tornar-se adulta ou genitor. Depois, como estudioso do simbolismo inconsciente, soube (sempre se sabe) que o mar é a mãe e que na praia marítma a criança nasce. Os bebês surgem do mar e são vomitados sobre a terra, como Jonas o foi da baleia. Assim, a praia do mar era o corpo da mãe, após a criança nascer, e a mãe e o bebê, agora viável, estavam começando a se conhecer mutuamente.
Depois, começei a perceber que isso faz uso de um conceito mais apurado do relacionamento genitor-filho e que poderia haver um ponto de vista infantil, não- apurado, um ponto de vista diferente daquele da mãe ou do observador e que esse ponto de vista do bebê poderia ser proveitosamente examinado. Por longo tempo, minha mente permaneceu em estado de não-conhecimento, com esse estado cristalizando-se em minha formulação dos fenômenos transicionais. Nesse ínterim, trabalhei com o conceito de 'representações mentais' e com a descrição destas em termos de objetos e fenômenos localizados na realidade psíquica pessoal, percebidos como internos; acompanhei também os efeitos do funcionamento dos mecanismos psíquicos da projeção e da introjeção. Compreendi, contudo, que a brincadeira, na verdade, não é uma questão de realidade psíquica interna, nem tampouco de realidade externa."

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